Economia  
 
 
 

Pensamento semente das Ecovilas

A pedra fundamental da economia social é a localização dos recursos a circulação dos recursos – dar e receber  fundos, produtos e serviços é localizada na comunidade/bairro, na bioregião.
Há o encorajamento  e apoio  aos membros  da comunidade para criarem negócios que enriqueçam  a economia local, que não gerem poluição, e que não explorem recursos humanos ou naturais.
Transação com bancos locais, éticos que apóiam projetos de comprometimento social.
A adoção  de sistemas alternativos de moeda – escambo, LETs, clubes de troca.

Cultura econômica
         Da Competitiva para Cooperativa
Estilo Empresarial
         Da Individualista para Colaborativa
Razão de Ser
         Da Sobrevivência da Estrutura para Interdependência
Papel do Dinheiro
         De Um Fim para Um Meio

Sócio-economia  da solidariedade. Solidariedade – ela nasce da percepção de que todos vivemos uns pelos outros, com os outros e para os outros. Somente reforçando essa dinâmica é que a sociedade é inclusiva.

 

Bairro forte, Planeta saudável
Giuliana Capello

Diversificar a economia, as relações sociais e os ecossistemas da Vila Mariana são receitas de sustentabilidade

Quando eu ainda estava no colégio, lembro-me de ter aprendido nas aulas de geografia que cada cidade ou região tem uma atividade que é considerada a base da economia local. Por exemplo: em Criciúma, Santa Catarina, a base da economia é a mineração do carvão, enquanto que no interior de São Paulo temos várias cidades que giram em torno dos canaviais.

Se pegarmos o mapa do Brasil, veremos que cada região tem um perfil econômico pouco diversificado, formado por monoculturas agrícolas, indústrias de extração de matérias-primas ou centros de negócios, caso do eixo Rio-São Paulo. Essa especialização, ao contrário do que se imagina, traz uma série de problemas ambientais (e mesmo econômicos) para o país. Para citar alguns deles, basta lembrar da infra-estrutura necessária para transportar madeira da Amazônia para o sudeste brasileiro, principal centro consumidor do recurso. Ou da logística criada para suprir as grandes cidades com alimentos vindos dos quatro cantos do país – isso sem falar nas inúmeras represas construídas no cinturão das metrópoles para abastecê-las com água retirada de pequenas cidades. Enfim, são todos exemplos de como fica complicado e custoso esse leva-e-traz de produtos e serviços cruzando todo o país.

Uma rápida observação da natureza nos leva a perceber que o equilíbrio está na diversidade local de espécies animais e vegetais. Quanto maior a diversidade local, mais saudável será aquele ecossistema. Da mesma forma, essa lógica natural funciona também para as relações humanas que dizem respeito à economia, ao meio ambiente e à sociedade.

E o que isso tudo tem a ver com a Vila Mariana? Vejamos. Imagine se pudéssemos produzir e administrar no nosso bairro tudo aquilo de que precisamos no nosso dia-a-dia: alimentos, água, estações de energia e tratamento de esgoto, trabalho, amigos, lazer, cultura, promoção da saúde, gestão do lixo, espaços educacionais...

O caminho para a sustentabilidade, condição tida como fundamental para a sobrevivência da nossa espécie no planeta passa necessariamente por essa reestruturação do espaço urbano, que deve buscar condições para suprir suas necessidades localmente, mantendo e fortalecendo sua rede sócio-ambiental – seu verdadeiro ecossistema – e evitando, assim, danos ambientais e sociais para além de suas próprias fronteiras. Nesse sentido, cada um de nós pode fazer um pouquinho pelo bairro. Como consumidores que somos, podemos dar preferência ao comércio do bairro, aos serviços do bairro, aos teatros, cinemas e museus da Vila, aos professores, dentistas e médicos. Como cidadãos, podemos valorizar nossos vizinhos, nossos parques e praças, nosso governo local, nossas ruas e avenidas, espaços e serviços públicos.

Um pouco de atenção nos faz refletir durante os pequenos e importantes atos do cotidiano. Como quando escolhemos um brinquedo para nossos filhos e pensamos: o que pode ser mais sustentável, comprar aquela boneca feita na China por trabalhadores precários e trazida de navio para o Brasil, ou aquela feita a mão pela cooperativa de artesãos da Vila, aquela que fica a poucos quarteirões da sua casa? Se você conseguir imaginar que tipo de produto tem mais a ver com o mundo que você quer deixar para os seus filhos, a resposta virá fácil, fácil...

 

Você valoriza o comércio do seu bairro?
Victor Leon Ades

Fala-se muito atualmente em revitalização de bairros da cidade, combate à economia informal, projetos de geração de renda, etc. Como isto reflete na nossa vida cotidiana? Depende do quanto deixarmos. Quanto mais ajudamos a economia do nosso bairro a manter-se dinâmica, produtiva e inclusiva menos vamos sentir as influências negativas de todos estes problemas.
Toda vez que fazemos compras num shopping center, hipermercado ou megaloja na marginal num bairro distante, estamos enfraquecendo a economia do nosso. Por que?

Parte da riqueza acumulada pelas pessoas dentro dos seus bairros, com seus trabalhos, acaba sendo transferida para estes bairros distantes, quando isto acontece. Muitas vezes as empresas onde vamos gastar o nosso dinheiro são virtuais ou estão sediadas em outros bairros, cidades, estados e até países. Muitas se beneficiam de amplos incentivos fiscais e financeiros dados pelos governos e conseguem competir no mercado com ampla vantagem em relação a um pequeno comerciante da nossa própria rua.

O comerciante de bairro tem total interesse em fidelizar sua clientela e seguramente estaria disposto a rever seus preços para enfrentar esta concorrência se tivesse mais segurança no seu negócio, investindo assim em melhores instalações, treinamento de pessoal, melhores serviços e gerando mais empregos. Segundo estatísticas mais de 70% dos empregadores no Brasil são microempresas com até 4 funcionários. Não é triste perceber quando uma padaria, lavanderia, papelaria ou salão de cabeleireiro que costumávamos freqüentar fechou?
O problema é que os verdadeiros custos não estão computados nestes preços. Será que se considerarmos os custos de transporte, alimentação, tempo perdido, estacionamento, congestionamentos, emissões de CO2, poluição etc estas megalojas realmente são realmente mais vantajosas? E se considerarmos então a perda de empregos, fechamento de pequenos negócios, degradação urbana e número crescente de espaços vazios ainda assim valeria a pena?

Saiba que muitas comunidades criaram alternativas para suas trocas e comércio solidários tais como: moedas alternativas, feiras de trocas, bazares, cadernetas de crédito, microcrédito, troca de produtos por serviços e vice-versa, entre outras. É uma maneira de estimularem uma economia colaborativa e não tão competitiva e exercerem sua cidadania e reforçarem sua auto-estima.

Comprando no seu próprio bairro você acaba conhecendo o nome do vendedor e ele o teu e as relações transcendem o aspecto financeiro, tornando-se muito mais humanas. Há troca de olhares e sorrisos. As pessoas se reconhecem. Quando estiver caminhando pela rua você pode visualizar árvores, flores e jardins, o tom do céu, perceber as mudanças de clima, ajudar crianças e idosos, conhecer caminhos diferentes e divertir-se.

Mude os seus hábitos e faça economia. Através destas pequenas atitudes ajudamos a fortalecer a economia do nosso bairro.

No Ecobairro em breve vamos propôr alguns exercícios de economia de trocas solidárias. Venha participar!