Ecologia  
     
 

Pensamento semente das Ecovilas

Pensamento semente das Ecovilas:
Conexão com o local
Produção e Distribuição de Comida
Bioconstrução, Construção e Reforma Ecológica
Esquemas de Reciclagem, Redução e Reutilização
Transportes
Água e Tratamento Ecológico de Esgotos
Sistemas Integrados de Energia Renovável
Restauração e Conservação Ecológica

   

Artigos no Jornal Pedaço da Vila

Ecovilas: do rural ao urbano
Giuliana Capello

 

O sonho hippie que virou modelo de habitação para a ONU. Assim são as ecovilas, um jeito diferente de morar que já é realidade em 15 mil comunidades em todo o mundo. Modelada para assentamentos rurais, essa vila ecológica é hoje a aposta de futuro para muitos bairros urbanos.

Princípio fundamental é o cuidado com o meio ambiente, que regula as ações dos moradores. Na prática, eles mantêm hortas comunitárias (sem agrotóxicos), aquecem a água do banho com energia solar, constróem suas casas com materiais locais e tecnologias de baixo impacto ambiental (conheça uma das pioneiras no site www.findhorn.org). Além disso, cultivam a diversidade social e cultural como indicador de boa saúde da comunidade e se apóiam uns nos outros em relações sociais de confiança.

Difícil? Ouso dizer que o mais complicado é dar o primeiro passo. No segundo, o prazer gerado pelo alento de uma vida mais agradável gera vontade de prosseguir na caminhada. Mês que vem vamos conversar sobre como transformar a Vila Mariana numa ecovila urbana.

 
 

Banho quente, ecológico e mais barato!
Giuliana Capello

Em São Paulo, pode até parecer novidade. Mas, em muitos lugares do mundo aquecer a água do banho com energia solar é mais do que comum: é lei. Em Israel, por exemplo, praticamente todas as casas usam o equipamento. O mesmo acontece na Espanha e na Cidade do México. Em terras brasileiras, Belo Horizonte vem sendo chamada de "a capital do aquecedor solar". Não por acaso, a região concentra várias empresas fabricantes dessa tecnologia. Lá, virou até diferencial no mercado imobiliário. Imagine no jornal: "aluga-se casa com dois dormitórios, garagem e...coletor solar".

Estranho? Nem um pouco. A boa fama do aquecedor está diretamente ligada às vantagens que ele proporciona. Numa casa ou apartamento, o chuveiro responde, em média, por 30% do valor da tarifa de luz. Ao trocar a energia elétrica pela solar na hora do banho, uma família combate o grande vilão das altas contas. Além disso, a energia solar é uma opção ecológica, pois alivia o impacto sobre as hidrelétricas e as distribuidoras nos horários de pico do consumo. Em Campina Grande, na Paraíba, a instalação do aquecedor solar gera descontos no IPTU do imóvel. No interior de São Paulo, a cidade de Birigui tornou-se a primeira do Brasil a aprovar uma lei que obriga o uso dos coletores em conjuntos habitacionais destinados à população de baixa renda. A medida é uma excelente maneira de reduzir os custos mensais de quem mora em casa popular. Tanto é assim que em Betim, Minas Gerais, 502 casas populares contam com banho quente gerado a partir da energia do sol. Em Cafelândia, região de Bauru, um fabricante doou 50 equipamentos para um empreendimento da CDHU, que aprovou a idéia e está em fase de pesquisas para tentar estender a novidade a futuros conjuntos habitacionais. Várias cidades estão começando a se interessar pelo assunto, inclusive São Paulo. Para o consumidor, a boa notícia é que o equipamento não é muito caro e, em pouco tempo, a economia gerada compensa o investimento. Por outro lado, a tecnologia não seria sustentável se não pudesse ser acessível a toda a população.

Quem não tem como investir na compra de um aquecedor pode procurar a Ong Sociedade do Sol - com sede na Cidade Universitária - que oferece cursos a quem quer aprender a montar o seu próprio coletor solar. Além de capacitar monitores voluntários para disseminar a tecnologia em diversas comunidades carentes, a ong ministra palestras em escolas que são, ao mesmo tempo, aulas de física, química, educação ambiental e cidadania. Para conhecer mais sobre o tema, não deixe de visitar o site da entidade: www.sociedadedosol.org.br. E bom banho para você.

 

Pisar no freio preserva o meio ambiente
Giuliana Capello

Quem hoje não sente que precisa de mais tempo para fazer as tarefas do dia-a-dia? E quem nunca ouviu a história de que a tecnologia faria as máquinas trabalharem por nós? O que será que deu de errado?!?

Se você está se perguntando o que é que isso tem a ver com ecologia, eu explico. Cada vez que nós adquirimos uma tarefa a mais nas nossas vidas, de um jeito ou de outro estamos consumindo mais energia. Se tivermos três reuniões por dia, todas em lugares diferentes, vamos passar algumas horas gastando combustível nesses deslocamentos, por exemplo. Além disso, é provável que cozinhar seja uma raridade em nossas vidas. Compramos tudo pronto, com quilos de embalagens. Alimentos industrializados, calóricos e, muitas vezes, pouco saudáveis. Se não temos tempo, não praticamos exercícios físicos e nos tornamos cada vez mais sedentários e com pouca disposição para caminhadas no bairro. Mesmo as compras menores são feitas com o uso do carro – e lá se vai mais gasolina.

Sem tempo, não temos um hobby e, por isso, não cultivamos nenhuma habilidade além daquela que declaramos no currículo profissional. Tocar um instrumento, escrever contos, fotografar ou reunir os amigos, só nas férias e olhe lá. Resultado: todas as nossas ações são formas de consumo: nossa alimentação, nosso vestuário e até nosso lazer.

Para ajudar o meio ambiente, portanto, é preciso desacelerar, pisar no freio mesmo. Estranho? Sim, mas faz sentido. Pense na China crescendo mais de 10% ao ano e imagine a quantidade de recursos naturais que ela está consumindo...Será que precisamos de tantos produtos, de tanta rapidez, de tantos aparelhos eletrônicos? Para que, então, precisamos trabalhar oito horas por dia se sabemos que podemos comprar menos?

Já existem movimentos ambientalistas no mundo que pregam a desaceleração como forma de preservar o meio ambiente. Assim, surgiu o slow food, em contraposição ao fast food. Comer devagar implica ter tempo para saborear a comida, que de preferência foi preparada por você. A alimentação é, nesse caso, um reflexo do modo como cada um de nós organiza seu tempo e a lista suas prioridades.
O mesmo acontece na nossa casa. Se você pode ter temperos da sua própria horta ou móveis que você mesmo restaurou ou ainda roupas feitas por você, sua marca no mundo será mais leve e, portanto, mais ecológica. Significa que você não simplesmente foi ao supermercado e comprou um pote de mostarda e uma camiseta confeccionada na China.

Hoje, não há nada mais revolucionário e ecologicamente correto do que ter tempo para fazer coisas simples, como nossos avós faziam. O luxo da nossa era, quem diria, é o tempo. Troque a mostarda pelo manjericão da horta e curta os pequenos (e verdadeiros) prazeres da vida. Dê um tempo para você e poupe o planeta!

 

Guarita Ecológica
Lara Freitas e Denise Mazeto

 

Esta história começa com um caminhão de material reciclável, uma comunidade, um projeto. Um caminhão ao passar pela nossa rua desmontou, de forma abrupta, uma antiga guarita de segurança. Surgiu, imediatamente, a necessidade de reconstruí-la.

Esse fato gerou a oportunidade de criarmos uma guarita de segurança ecológica, cuja intenção foi dar uma forma mais sustentável para algo tão insustentável no nosso convívio urbano que é a questão de segurança.

No aspecto ambiental, a proposta foi utilizar materiais construtivos reciclados com baixo impacto ambiental e reaproveitamento de madeira.

Seguindo com nossa intenção, a questão social também foi alvo de experiências interessantes, pois o diálogo sobre a guarita ecológica foi um dos pretextos para conhecermos melhor a comunidade em que chegamos algum tempo atrás.

Essa ação foi iniciada com a reflexão sobre como podemos aproveitar oportunidades que estão ao nosso redor, cotidianamente, e quais são as respostas, diferentes das que estamos acostumados, podem ser dadas.

As pessoas e comunidades podem, a todo o momento, rever e repensar as suas relações com o mundo natural e social.

Expor idéias de cunho sustentável no meio urbano, ainda, é um desafio. Muitos olhares de descrenças, em meio a outros de curiosidade e de fé, surgem. Ao final, o que importa é que a intenção de se fazer uma guarita ecológica está se concretizando e já está erguida no bairro.
Esse processo de construção da guarita trouxe algo significativo - para obter a nossa segurança local passamos pelo diálogo sobre nossa segurança ambiental.

Esse diálogo é mais que importante. Por um tempo, o ambiental foi pauta somente de ecologista e "ecochatos" de plantão. Atualmente, a realidade nos mostra que o assunto deve ser pauta de todos os cidadãos e comunidades urbanas.
Tecnologias ancestrais e modernas estão disponíveis. Materiais, recursos, know-how e profissionais especializados, estão surgindo cada vez mais.

Literaturas especializadas e experiências vivas também já estão ao nosso alcance.

Então, o que falta para que esse processo se amplie e se torne parte do nosso cotidiano?

As experiências das ecovilas dizem que três itens são importantes para a mudança, para a transformação: necessidade (e ela já está aí batendo à nossa porta), ferramentas (amplamente disponíveis) e VONTADE.

Ah! Isso depende de todos nós...

A transformação de nossos lares, edificações e espaço público deve ser nosso objetivo comum através de uma ação mais sustentável - sem se descuidar do convívio social.

Isso nos remete a um repensar as bases de sustentação da vida no Planeta Terra. Repensar, desde os hábitos e as práticas mais elementares do indivíduo de jogar papel no chão, passando pelo consumo, pelas formas de locomoção e indo até a elaboração e execução de políticas públicas e ambientais, pautadas em novas posturas diante do nosso cotidiano.

Nesse sentido o Ecobairro tem se preparado e atuado para irradiar ações mais sustentáveis, a começar pela nossa sede e entorno.
Esperamos estabelecer o diálogo permanente sobre como criarmos caminhos para sustentabilidade no local onde moramos, trabalhamos e circulamos.

Vamos nos mover para um mundo com mais segurança ambiental e local e isso deve ser uma construção conjunta.

Se você quer conhecer nossas ações, entre em contato conosco. Nosso endereço é Casa Urusvati: rua Dr. Luis Azevedo Filho, 38 (próximo ao Metrô Santa Cruz). Tel.: 2578 7254.

 

Dia Mundial Sem Carro
Paullo Santos


Antes de falar do dia internacional sem carro quero lembrar que o dia 21 de setembro é o dia Internacional da Cultura de Paz pelas Nações Unidas, vou aproveitar para citar alguns princípios que tem haver com dia seguinte: "Preservar o Planeta" e "Respeitar a Vida".
A primeira experiência sobre "Um dia sem carro" foi realizada em 22 de setembro de 1997, com a adesão de 35 cidades francesas e se estendeu para toda a União Européia. A cada ano, nesse mesmo dia, quando se comemora também o dia mundial do pedestre, as adesões aumentam.

No Brasil, o movimento começou em 2001 e, em 2004, contou com a participação de 63 municípios, entre os quais Campinas, Guarulhos, Londrina, Natal, Santos, Vitória, Belém, Campo Grande, Belo Horizonte, Aracaju, Joinville, Porto Alegre, São Luiz, Niterói, Salvador e Teresina. E em São Paulo desde 2005, sob a coordenação da Secretaria do Verde e do Meio Ambiente.

Neste ano, ganha o apoio das 250 entidades que integram o Movimento Nossa São Paulo: Outra Cidade para transformar o dia 22 de setembro, um sábado, em um marco na busca por uma cidade mais justa, mais humana, mais saudável, mais democrática. E sustentável. O objetivo é ampliar o debate e a participação da população sobre novas perspectivas para São Paulo, lembrando que somos todos pedestres e cidadãos com direito à mobilidade. O Movimento Nossa São Paulo: Outra Cidade está fazendo uma divulgação intensa sobre essa iniciativa, acesse o site www.nossasaopaulo.org.br

A idéia principal é levar a população a refletir sobre os problemas causados por um modelo de mobilidade baseado no automóvel; nas possibilidades do uso racional e solidário dos carros; e também em alternativas de locomoção como o uso do transporte coletivo, da bicicleta ou simplesmente andar a pé.

Poluição, congestionamentos, estresse e violência no trânsito, estão, em muitos aspectos, vinculados à dependência de nossa sociedade ao automóvel.

Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), tudo isso se reflete em problemas como a destruição da atmosfera terrestre, saturada por grande quantidade de poluentes, causando vários problemas de saúde e também alterando as condições de vida no planeta.
Lembre-se: para fazer sentido, o Dia Sem Carro precisa ser um dia COM qualidade de vida, PELA integração social. Por isso, saia de casa, passeie, circule pelo bairro, encontre as flores da Primavera, a estação em que tudo floresce e que traz beleza: uma atitude de cultura de paz. O Ecobairro apóia essa iniciativa e você?

Compartilhe sua experiência através do e-mail [email protected]

 

No Natal, compre com consciência
Denise Mazeto


Sobre consumo consciente, muitos de vocês já ouviram falar. Mas e sobre a síndrome do grande magazine? É aquele impulso incontrolável de comprar aquilo de que você não precisa, por um preço não tão baixo assim, porém parcelado em zilhões de vezes e que vai deixar sua casa entulhada de coisas de que quase nunca precisa.

Você pode estar se perguntando o que tudo isso tem a ver com ecologia, já que quem vos escreve é nucleadora de ecologia. Tudo! Afinal, mais consumo implica maior demanda por recursos naturais, maior geração de resíduos, maior consumo de água e energia, maior emissão de gases de efeito estufa, mais aquecimento global, e por aí vai.

As facilidades na compra e forma de pagamento acabam gerando desperdício. No caso de móveis, por exemplo, muitos não têm qualidade e com pouco tempo de uso se transformam em descartáveis – o número de sofás encontrados no lixo e em córregos é prova do problema. Outro exemplo é a parcela da compra de um eletrodoméstico novo, que costuma ser mais barata do que pagar o conserto do antigo – mesmo sabendo que as peças do antigo são mais resistentes!

A cada dia surge um novo produto que, dizem os marketeiros, você não pode viver sem! E isso nos faz pensar: a mercadoria me pertence ou eu pertenço à mercadoria? Até pouco tempo, o grande impacto ambiental poderia ser atribuído à minoria da população com maior poder aquisitivo - pois sabemos que o consumo acima do que o planeta pode dispor tem como conseqüência o aumento da pobreza. Isso lhe parece ético?

Com essa síndrome, a coisa está tomando outro formato, pois com a grande facilidade de crédito (e de endividamento) todos nós somos tentados a acessar esse ideal globalizado de consumo. Então, vamos a alguns dados concretos:

Mesmo havendo reciclagem de muitos materiais, acreditem, a maioria dos descartes vai para os aterros ou lixões, sem falar que a decomposição pode levar centenas de anos. Mesmo quando chegam à reciclagem, é preciso considerar o consumo de água e energia envolvido no processo. Por isso, a grande sacada é continuar usando o que já temos e, quando necessário, comprar produtos de qualidade para que durem muito tempo.

Então, cabe a cada um de nós repensar os nossos conceitos, as nossas escolhas e, quem sabe, buscar um estilo de vida em que o necessário não se confunda com o desejável, onde o ser é mais importante que o ter e o simples não é sinônimo de desconforto. Viva uma vida simples, dinâmica e criativa! E lembre-se: o melhor materialista é aquele que aproveita intensamente o pouco que consome.