Cultura  
 
 

Pensamento semente das Ecovilas

A vitalidade cultural de uma comunidade é sustentada através de atividades artísticas, celebrações, festivais, encontros.
A criatividade e as artes são vivenciadas como expressão da unidade da comunidade e sua inter-relação com o universo.
Expressão artística nas mais diversas formas (pintura, música, poesia, teatro, dança, tecelagem, artesanato, fotografia) é encorajada e apoiada através de oportunidades para o desenvolvimento dos talentos artísticos.
O design e aparência da comunidade deve demonstrar que a comunidade valoriza arte, beleza.
A herança e raízes da comunidade são celebradas através de histórias, cerimônias preservadas e arte.
Transmissão de habilidades criativas para as novas gerações.
Tempo para atividades recreativas e de lazer (esportes, hobbies, relaxamento).
O papel de rituais, ritos de passagem.

 

Artigos no Jornal Pedaço da Vila

Vila Mariana levanta a Bandeira da Paz e Cultura
Paullo Santos

     
 

A festa de comemoração dos 80 anos do Instituto Biológico, no final de março, foi um momento de grande alegria para o projeto Ecobairro. O dia foi de rara beleza, com a participação da comunidade e de autoridades. Durante a cerimônia, hasteamos a bandeira da Paz e Cultura, símbolo do Pacto Internacional de Paz e Cultura assinado em 1935 por 22 países - incluindo o Brasil – e por diversas entidades em todo o mundo. Erguer ao céu esta bandeira marca um sentimento de esperança e de trabalho para quem deseja viver num mundo mais humano, justo e harmonioso. Cultura de paz e educação para o desenvolvimento sustentável são os valores essenciais que norteiam todas as ações do Ecobairro.

Quem esteve presente à festa também teve a oportunidade de medir sua pegada ecológica, ou seja, o pedaço do planeta necessário para atender o estilo de vida de uma pessoa.

Inspirado no movimento das ecovilas (comunidades que vêm mostrando ao mundo inteiro que é possível viver em equilíbrio com a natureza), o Ecobairro repousa seus princípios na idéia de que só haverá um mundo sustentável quando pudermos respeitar e entender nosso meio ambiente. Por isso, é fundamental trazer para o eixo urbano o modo de vida dessas ecovilas. Bairro a bairro, o que queremos é incentivar hábitos e atitudes saudáveis aos moradores e à natureza.

A Vila Mariana foi escolhida como local para nosso primeiro projeto-piloto. Além de ser um bairro estratégico geograficamente, por ficar no coração da cidade, ele abriga nossa sede, a Casa Urusvati, que será o ponto central para irradiar frutos por todo o bairro. Lá funcionam várias atividades ligadas a Educação, Saúde, Cultura e Espiritualidade, num verdadeiro colorido de expressões e paz. Um dos exemplos é a nova guarita da rua, que está sendo erguida dentro de padrões da construção sustentável, e a preparação para a implantação da primeira calçada verde do bairro. Além disso, estamos dotando a Casa Urusvati de parâmetros sustentáveis, empregando a máxima Gandhiana: "devemos ser o que queremos ver no mundo".
 
     

A Rede Mundial das Ecovilas (GEN), sediada na Escócia, é parceira do Ecobairro e hoje transmite a experiência dessas comunidades através da Educação Gaia, um currículo que aborda o desenvolvimento sustentável sob quatro aspectos: visão de mundo, ecológico, econômico e social.

Em parceria com a UMAPAZ – Universidade Livre do Meio Ambiente e Cultura de Paz, no Parque Ibirapuera, e com o projeto Ecovila São Paulo, o Ecobairro está trazendo essa capacitação para o Brasil pelo segundo ano consecutivo. Em 2006, 85 pessoas foram certificadas como "designer de comunidades sustentáveis" e, em 2007, outras 101 pessoas (que iniciaram o curso dia 14 de abril) devem terminar o ano com o coração refeito pela possibilidade de transformar São Paulo numa cidade mais sustentável.

Parabéns Instituto Biológico por fazer parte na construção de uma cultura de paz, e nosso muito obrigado ao Pedaço da Vila por mais essa iniciativa.

Se você ainda não conhece, venha fazer uma visita ao Ecobairro! Anote nosso endereço: Casa Urusvati, Rua Dr. Luiz Avedo Filho, 38 – Vila Clementino, tel. (11) 2578-7254.
 
Arte pra quê?
Celuta Wagner
   

Falamos muito da arte e de seu destino em nosso país. E ai vem a notíaia de que arrombaram as portas do MASP e duas obras importantíssimas foram roubadas para serem vendidas no mercado negro. Falar de arte, nos dias de hoje, não é tarefa das mais fáceis. Até porque a arte hoje é menosprezada em relação às outras ciências, pois a ela somente é conferido o valor estético e, quando não, fica sob o julgo de classes de alto poder aquisitivo, que dela se apropriam. Mas afinal, Arte pra quê? Qual é, em verdade, a sua primeira função dentro de nossa sociedade?

Segundo Sri Aurobindo, o primeiro uso da Arte, e o mais baixo também, é o estético. O segundo é o intelectual ou educativo e, finalmente, o terceiro uso, e mais nobre, é o espiritual. A estética é de imensa importância, pois é através dela que o ser humano consegue expressar-se até atingir um elevado grau de refinamento, o que lhe permitirá enxergar além da estética, ou seja, a beleza. Sim a beleza! Não há viva alma neste planeta que, portando de suas faculdades normais, não goste e não se sinta bem diante do belo. Aliás, este é um ótimo termômetro para avaliarmos nosso estado interior e tudo aquilo que nos rodeia. É importante enfatizar, que não se deve confundir beleza com riqueza. Em nossa sociedade consumista, a beleza está sempre associada ao luxo e esquecemos que a natureza, que é talvez, a maior expressão da beleza, está permanentemente exposta de forma gratuita e, quase sempre, revestida de simplicidade. Basta que tenhamos olhos para ver! Quantas vezes, engarrafados em nossas ruas, olhamos para o esplendor e para a beleza de uma antiga e majestosa árvore, cimentada em nossas calçadas? Quantas vezes olhamos para o céu e enxergamos o brilho das estrelas ou acompanhamos as fases da lua? Há muitas expressões artísticas que fazem parte da natureza, que estão ao alcance de nossos olhos, que são oferecidas pela mãe terra de forma gratuita e generosa, porém, quase sempre, não notamos sua existência. Deixamos que elas passem desapercebidas, perdidas no meio de nossas tarefas cotidianas.

 

A arte, que é ministrada no currículo escolar serve para que possamos aprender a enxergar a vida de forma bela. Esta é, em primeira instância, o significado da arte na educação. Olhar o mundo e senti-lo belo é uma das tarefas a que a arte se propõe dentro das escolas. A segunda instância, que é de uma importância ímpar, consiste em desenvolver os dois lados do cérebro e ampliar nossa visão de mundo.

Cultivar o belo em nossas vidas é uma atividade importantíssima. A arte e a cultura andam de mãos dadas e, numa cidade como São Paulo, é necessário resgatarmos os traços culturais impressos em sua paisagem urbana, tais como nossos antigos prédios, praças públicas com seus monumentos, museus, parques, ruas e casas, mas eles deveriam estar impregnados de beleza e simplicidade. É neste ponto que conseguimos entender qual é o significado espiritual da arte. Quando nos conectamos com a beleza, automaticamente ativamos dentro de nós as chaves internas do bem estar e da conexão com todos os seres vivos e com a natureza. Passamos a enxergar o outro, não como desconhecido, mas buscamos ver neles o que há de belo e interessante. Fazemos isso com freqüência quando viajamos. Quando buscamos a cultura de outros povos, estamos nos abrindo para a diversidade. Nicholas Roerich dizia que a arte e a cultura unirão o mundo, pois só a estima e a apreciação de culturas diferentes poderá assegurar a compreensão dos povos e, consequentemente, a unidade e a paz de forma permanente. Para tanto, em 1929, ele propôs um pacto de Paz, ocasião em que adotou a bandeira da paz, a qual foi resgatada como um símbolo especial visando a proteção de todos os tesouros culturais do mundo. Esta flâmula deveria estar presente em todos os museus e instituições artísticas e culturais a serem preservados, mesmo em épocas de guerra. A proposta de criação do pacto de Nicholas Roerich venceu as barreiras políticas da época e chegou a ser assinado por várias nações em 15 de abril de 1935, na Casa Branca, Washington, USA. O Brasil também foi um dos signatários deste acordo internacional.

Hoje precisamos assegurar a preservação de nossa cultura, cuidando melhor de nossa cidade. O Ecobairro acredita que esta é uma tarefa de todos nós e que a responsabilidade não deve ser delegada somente às instituições governamentais. A preservação de nossa cultura é responsabilidade de toda a sociedade. Para tanto é preciso que entendamos que a arte vai além da simples observação. Elas nos conecta com amplos planos sutis e canaliza vibrações de harmonia e paz para dentro de nossos corações. É com certeza, através delas que os povos se unirão, integrando cultura e beleza, harmonia e paz entre todos os homens.

"Onde há Paz, há Cultura; onde há cultura, há paz."